O alfabeto Braille foi inventado em 1837, pelo educador francês Louis Braille, nascido em 04 de janeiro de 1809, na pequena cidade de Coupvray, perto de Paris. Desde muito pequeno, Louis Braille costumava brincar na oficina de seu pai com os pequenos retalhos de couro usados na confecção de selas. Com apenas cinco anos, Louis ficou cego total devido a uma perfuração no olho, causada por uma suvela, instrumento de retalhar couro, de ponta muito fina.
Aos oito anos, Louis teve que andar com uma bengala de madeira que lhe orientava no sentido de perceber quando saía do caminho. O garoto cego que sempre demonstrou muita vivacidade e inteligência, contou com a amizade e a atenção de Abade Jacques Pally. Graças a ele, Braille começou a desenvolver sua natureza investigadora e familiarizar-se com o mundo. A pedido de Abade Palluy, Louis foi aceito em sua escola, pelo professor Brecharet, onde estudou durante dois anos, demonstrando muita inteligência.
Com 10 anos de idade, Louis foi estudar em Paris, na Instituição Real Para Jovens Cegos. As instalações da escola não eram nada boas, porem foi lá que Louis aprendeu a ler, isto é, a reconhecer 26 letras do alfabeto com a ajuda dos dedos. Mas as letras tinham várias polegadas de abertura e de largura. Um pequeno artigo enchia muitos livros. Mais tarde, Louis tornava-se professor da mesma escola. Ele queria encontrar um sistema de leitura mais apropriado.
Certo dia, Louis estava sentado num restaurante, com um amigo que lia o jornal para ele. O amigo leu um artigo a respeito de um francês, Charles Barbier de La Serre, Capitão de Artilharia do exército de Louis XIII, que devido às dificuldades encontradas na transmissão de ordens durante a noite, elaborou um sistema de escrever que podia usar no escuro, ele o chamava “escrita noturna”. O capitão usava pontos e traços em alto relevo, os quais, combinados, permitiam aos comandados, decifrar ordens militares através do tato. Barbier pensou que seu sistema poderia ser utilizado para pessoas cegas. Transformou-o, então, num sistema de escrita para cegos e denominou “Gráfica Sonora”.
O método de Barbier, apesar de considerado complicado, foi adotado na Instituição como “método auxiliar de ensino”. Quando Louis ouviu falar nisso, ficou entusiasmado. Louis Brailler aprendeu com rapidez a usar o sistema trocando correspondências com seus colegas de turma. A escrita era possível com uso de uma régua-guia e de um estilete. Como o sistema de Barbier apresentava uma série de dificuldades, principalmente para símbolos matemáticos, sinais de pontuação, notação musical, acentos, números, Braille começou a estudar maneiras diferentes de fazer os pontos e traços no papel.
Passou noites experimentando incansavelmente sobre a régua e o estilete que ele próprio inventou. Aos 15 anos de idade inventou o alfabeto Braille, semelhante ao que se usa hoje. Um sistema simples em que usava seis buracos dentro de um pequeno espaço, fazendo 63 combinações diferentes. Cada combinação indicava uma letra do alfabeto ou uma palavra. Havia também combinações para indicar os sinais de pontuação. Louis apresentou sua invenção ao diretor, que, apreciou o seu trabalho e autorizou-o a experimentá-lo no Instituto. Seus colegas aprenderam rapidamente o método. Louis continuava seus estudos, embora continuasse sempre trabalhando em sua pesquisa. Como foi sempre um dos primeiros alunos, logo começou a ensinar álgebra, gramática e geografia.
Mais tarde, aplicou seu sistema à notação musical. Seu alfabeto permitiu a transcrição de gramáticas e livros de textos para pessoas deficientes visuais. Em seguida, na inauguração do novo prédio do Instituto Real Jovens Cegos, Braille teve a alegria de ter o seu sistema demonstrado publicamente e declarado aceito. Foi este o primeiro passo para a aceitação geral. Daí, o seu uso começou a expandir-se pela Europa.
Louis Braille veio a falecer no dia 6 de Janeiro de 1852, dois dias após o seu aniversário de 43 anos, confiante de que seu trabalho não tinha sido em vão. Adaptado pela escola de cegos de Paris em 1854, logo se difundiu por todo o mundo.
Cada matriz do sistema Braille é formada por duas fileiras verticais paralelas, que podem conter três pontos cada uma. Cada sinal de leitura, seja letra, cifra ou sílaba, tem em relevo uma das possíveis combinações dos seis pontos existentes. Assim, o tipo indicado pelas diferentes posições em que aparecem os pontos em relevo assinala uma letra, um número, um sinal matemático.