Navegar na Internet, acessar notícias e informações diversas através do computador, fazer pesquisas e estudar sem sair de casa são – facilidades incorporadas ao dia-a-dia – ainda estão longe do cotidiano de uma série de indivíduos, entre eles os deficientes visuais. Essa realidade, no entanto, está se transformando – e para melhor.
A inclusão digital ganha força em Bento Gonçalves com o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE), órgão institucionalizado no CEFET/BG para atender as pessoas com deficiência visual ou motora e ensiná-las a utilizar o computador. O espaço é mais uma oportunidade de se trabalhar com a inclusão de deficientes, conforme a coordenadora do núcleo e professora de informática Andréa Poletto Sonza. “Queremos ser um centro de referência para poder ampliar o projeto na comunidade, ainda há muito que se fazer. O governo vem investindo muito em inclusão e isso incentiva o crescimento no núcleo”.
Atualmente o Núcleo atende a cinco alunos deficientes, geralmente encaminhados à unidade pela ADVBG. Cada professora atende os alunos individualmente, em aulas que duram entre uma hora e uma hora e meia por semana. Os cursos acontecem à tarde, e são ministrados pela bolsista Jéssica Froes e pela professora Andréia, educadora especializada que está concluindo o doutorado em Informática na Educação Especial.
O foco é ensinar jovens e adultos deficientes visuais ou com deficiência motora a utilizar o computador. “O uso da informática auxilia nossos alunos no dia-a-dia, seja na escola, no trabalho ou em casa e aqui no núcleo, podemos contribuir para o aprendizado individualizado de cada aluno. O objetivo principal desse trabalho é a promoção da inclusão social, autonomia e preparação para o mercado de trabalho”, explica Andréa.
O NAPNE é um tele-centro de acessibilidade que fica em uma casa planejada em termos de acessibilidade: rampa de acesso especial logo na entrada, quatro salas e dez computadores com leitor de tela em braile, específico para pessoas cegas. Outros diferenciais são o banheiro adaptado para deficientes físicos, a cozinha onde os armários possuem puxadores em braile e uma pia móvel, que pode ser movida para cima e para baixo com um controle.
O NAPNE é um órgão que foi institucionalizado no CEFET/BG por intermédio do programa TECNEP - Educação, Tecnologia e Profissionalização para Pessoas com Necessidades Especiais, ligados ao Ministério da Educação e Cultura, desenvolvido pela SETEC (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica) em parceria com a SEESP (Secretaria de Educação Especial) do MEC (Ministério da Educação e Cultura), ao qual, como IFET (Instituição Federal de Educação Tecnológica), a instituição está diretamente vinculada.
Desde sua criação, em dezembro de 2004, o núcleo vem desenvolvendo atividades que propiciam a inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais, tais como: cursos de Informática, teatro, atividades físicas, olericultura, atendimento psicológico, livro falado e digitação de material didático.
O SIEP – Sistema de Informação da Educação Profissional e Tecnológica, desde 2006. Durante as aulas três alunos bolsistas com deficiência visual, testam sites do domínio do MEC. “O objetivo é que eles naveguem nas páginas e apontem o grau de acessibilidade, por exemplo em links e menus, um professor acompanha e anota as principais dificuldades de navegação e o programador passa para o MEC o que deve ser melhorado nas páginas”, diz Andréa. Em 2007, a Microsoft e o ITS – Instituto Tecnológico Social, que é uma ONG de São Paulo, selecionaram seis instituições do país que atendem deficientes visuais, para receberem cursos e material, além de softwares específicos para os alunos cegos. O NAPNE é uma destas instituições que recebe auxílio.
O que: Tele-centro de Acessibilidade
Para quem: Deficientes visuais ou com deficiência motora
Onde: CEFET/BG – Av. Osvaldo Aranha, 540
Quando: aulas retornam em março Contato: (54)3455-3200