A Associação dos Deficientes Visuais de Bento Gonçalves comemora o 25º aniversário da primeira reunião que deu origem à entidade com um jantar no dia 13 de setembro. O encontro ocorre no Salão da Capela das Almas, na Linha Leopoldina, Vale dos Vinhedos, a partir das 20 horas. Haverá show com a Banda Festa Sul e com o músico Valmor Marasca. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos por R$ 20,00, na sede da Associação, na Avenida Cândido Costa, 24, Conjunto 604.
A data traz muitos a comemorar, segundo o presidente, Athos Antônio Filippon – a principal conquista da ADVBG é a promoção e a integração social dos deficientes visuais e o resgate da auto-estima de quem não pode ver. “Hoje a comunidade é mais aberta, mas ainda existem algumas famílias que escondem o seu deficiente, quando, na verdade, ele poderia estudar, praticar esportes e até mesmo trabalhar. Nosso objetivo é estimular os deficientes visuais para que não dependam tanto dos outros, para que tenham mais independência e se sintam capazes.” Muitos deficientes visuais são auto-suficientes graças à habilitação ou reabilitação oferecidas pela entidade, pois ali encontram quem os ensine a andar com a bengala pela cidade, ler e escrever em Braille, estudar e inserir-se no mercado de trabalho, de acordo com ele.
Atualmente com 100 associados, a entidade se esforça para suprir as necessidades daqueles que procuram por atendimento, como no caso de Juliana Peixoto, de 31 anos, estudante de Letras. “Sempre fiz parte da Associação, é como ter uma segunda família. Aqui todos se ajudam e eu recebo apoio técnico, pois a faculdade não possui material específico. Aprendi tudo aqui”, conta a jovem, que já nasceu sem a visão.
Além de Juliana, outros associados comemoram o retorno aos bancos escolares, como Inês Nardini Verona e Tercilio Pradella, ou a conclusão de seus estudos, como Juliano Luiz Osmarini e João Luiz Menegotto. As dificuldades são muitas, mas as conquistas compensam, conforme observa o professor de informática Célio Marcos Dal Pizzol, que também tem deficiência visual. “Alguns enfrentam chuva, frio e a distância, pois são de outras cidades, para vir até aqui aprender informática. Mas vale à pena, pois Bento Gonçalves é uma cidade que oferece estrutura para o deficiente e é preciso aproveitar essa oportunidade”, diz.
Para oportunizar tanto desenvolvimento, a entidade oferece sala de recursos, biblioteca, audioteca, material de gravação, bengalas, impressoras para livros em Braille, jogos adaptados, como damas, xadrez, baralho, dominó, entre outros equipamentos e brinquedos específicos para a estimulação visual. Tudo conquistado com dificuldades e, muitas vezes, graças a verbas vindas da Administração Pública ou de entidades internacionais, como a ONCE – Organizacion Nacional de Ciegos de Espana, que cedeu os computadores para o laboratório de informática.
Mesmo com todas as conquistas já alcançadas, a entidade tem muitos projetos: incrementar a biblioteca já existente com a aquisição de novos livros em braille e CDs e ter um voluntário que atenda, no mínimo, meio turno, para facilitar o acesso dos associados ao material disponível. “Meu maior sonho é entrar na biblioteca e ela estar cheia de gente, fazendo pesquisas na Internet, lendo ou ouvindo livros, e ter uma assistente social que se disponha a ir até a casa daqueles que ainda não participam, para trazê-los e integrá-los também”, diz o presidente Filippon.
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3452 6006.