“A pessoa com deficiência tem de estar consciente de que sua força é a maior alavanca de transformação onde quer que ela esteja inserida.” A frase é da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, doutora Linamara Rizzo Battistella e incentiva os portadores de necessidades especiais a lutarem por seus direitos, entre eles o de ingressar no mercado de trabalho.
Direito esse que tem sido pouco exercido no Brasil. Um dos motivos é a falta de conhecimento da capacidade que as pessoas com deficiência visual têm de exercer as mais diversas funções. Também o desinteresse por parte de empresas em investir no funcionário faz com que hajam poucas vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais, apesar da existência da Lei 8.213 de 1991. Conhecida como Lei de Cota, ela obriga as instituições a oferecer oportunidade de estágio para que o candidato demonstre, na prática, sua aptidão para exercer determinada atividade.
Segundo a doutora Linamara, a Lei de Cotas só será cumprida quando a qualificação inclusiva for a mesma que é oferecida aos demais empregados. De acordo com o Censo do IBGE de 2000, dos 24,5 milhões de brasileiros com deficiência, 57,16% têm dificuldade para enxergar e 0,6% são cegos. Um contingente muito alto para se deixar passar despercebido. Mas aos poucos grandes organizações servem de exemplo e contratam profissionais portadores de necessidades especiais. Como o caso da Rádio Globo, que tem o gerente-executivo Marcus Aurélio de Carvalho; a Procuradoria do INSS em São Paulo, que emprega Daniel Monteiro; e o Bradesco, que tem no quadro de funcionários da agência paulista a presença de Viviane Silva.
Outro exemplo a ser seguido é o do analista de sistemas Lothar Antenor Bazanella, de 56 anos, que trabalha em uma empresa de tecnologia de informação há 35 anos. Seu início foi em uma época em que não havia a Lei de Cotas para obrigar a contratação de portadores de deficiência e as dificuldades técnicas eram maiores. Ele complementa a opinião da Secretária paulista quando diz que é de suma importância que as pessoas participem da solução dos seus problemas. “Quando iniciei na área de informática não contávamos com quase nenhum recurso, mas criamos um programa que imprimia os relatórios em braille. Isso dificilmente aconteceria se não houvesse cegos com conhecimento para pensar nessa saída”, acrescenta.
A Serasa parte do princípio de que não há diferença entre qualificar e contratar uma pessoa com deficiência ou outra não que não possua necessidades especiais e investe nas portadoras para contribuir com o crescimento da empresa e do Brasil.. Para tanto, oferece equipamentos e recursos para que todos possam se desenvolver profissionalmente. Baseado neste princípio, adaptações arquitetônicas (para usuários de cadeiras de rodas), softwares leitores de tela e impressoras braille (para cegos), lupas eletrônicas (para pessoas com baixa visão) e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais – Libras (para surdos) são sempre compreendidos como investimento que a organização faz em pessoas – e nunca como gasto, custo ou despesa.
Por meio do Programa Serasa de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência, a Serasa recruta e seleciona pessoas com deficiência que tenham potencial para desenvolver tarefas segundo suas aptidões e talentos pessoais. A base do programa é o desenvolvimento da competência profissional dos seus integrantes. A Serasa conta com pessoas com deficiência trabalhando na Sede, em São Paulo, nas Agências e Escritórios espalhadas por todo o Brasil e nos locais de Atendimento ao Cidadão: Poupatempo (São Paulo), Rio Simples (Rio de Janeiro) e Casa do Cidadão (Fortaleza).